Um ambiente, que pode ser a escola ou a casa, deve ser bonito, alegre e atraente. E deve oferecer condições favoráveis ao desenvolvimento da criança.

Em uma sala montessoriana, de 3-6 anos, os materiais de Vida Prática se assemelham aos utensílios que temos em nossa casa. Para além da essência, essa é uma parte do Método que podemos copiar da escola, quase sem restrições. Eu digo quase, porque na escola a uma ordem e uma progressão na apresentação do material.

Os exercícios de vida prática têm, todos eles, um objetivo atraente, um certo quê de novidade, numa fase da vida em que os músculos estão se formando e coordenando em seus movimentos. Esta particularidade não somente explica o sucesso desses exercícios entre crianças, como também vem revelar muito de seu valor formativo. Graças a eles, as crianças vão, aos poucos obtendo uma coordenação dos músculos entre si, ao mesmo tempo que são auxiliadas a criar, por sua vez, essa mesma coordenação, sob a orientação e o império da inteligência (Montessori, Pedagogia Científica).

As bandejas são compostas por jarras, copos, potes variados, colher, faca, pegadores, vasinhos, telaios, entre outros. O vidro, a madeira e o metal estão sempre presentes. São materiais belos, delicados, irresistíveis. Os objetos convidam as crianças a agir “com eles” e com cuidado. A Vida Prática desenvolve a ordem, a coordenação, a concentração. É um preparo para a escrita e para a vida. Educa os músculos e disciplina os movimentos, tornando seus gestos mais coordenados. O trabalho com propósito traz à criança uma ordem interior e um sentimento de pertencimento.

Quando falamos de “ambiente” referimo-nos ao conjunto total daquelas coisas que a criança pode escolher livremente e manusear à saciedade, de acordo com suas tendências e impulsos de atividade. A mestra nada mais deverá que ajudá-la. No início, a orientar-se entre tantas coisas diversas e compenetrar-se do seu uso específico: deverá iniciá-la à vida ordenada e ativa no seu próprio ambiente, deixando-a em seguida, livre na escolha e execução do trabalho (Montessori, Pedagogia Científica)

Transpor grãos, versar líquidos, servir-se de água, fazer nós e laços, limpar sapatos, tirar o pó, pôr a mesa, retirar e lavar pratos e talheres, abrir e fechar gavetas, são alguns dos inúmeros trabalhos que a criança pode aprender, gradualmente, de forma individual ou coletiva.

Um pouco da nossa vivência

Sábado é dia da menina ir à feira com o papai. Um evento para ela. É da feira que a menina traz as flores escolhidas por ela para preparar nossos vasos, dar mais vida, cor, beleza e delicadeza ao nosso lar. Quase sempre são rosas ou girassóis. Vem carregando o maço nas mãos pelo caminho e adentra a porta da casa com um sorriso que contagia, e em tom de alegria, anuncia:

– Mamãe, vem ver o que eu trouxe hoje!

Vai falando e abrindo o maço, enquanto chego para um abraço.

Antes que eu tenha tempo de dizer qualquer coisa, a menina pede:

– Mamãe, hoje você pode cortar os caules para eu montar os vasos?

Mesmo eufórica, ela consegue esperar que eu prepare a bandeja.

Gostamos de enfeitar a casa toda com flores e a menina quis fazer arranjos para a sala, para o banheiro, para o quarto dos pais e para a sua mesinha na cozinha. Dessa forma, preparamos vasos de diferente tamanhos. Depois de trabalhar com o propósito até o final, a menina sai espalhando os vasos pela casa. E no final, exclama:

– Olha mamãe, como a nossa casa ficou bonita cheia de flores!

Essa, é só uma das infinitas possibilidades de seguir nossa a criança em casa. E teria sido ainda mais rico, se tivéssemos colhido as flores diretamente no jardim.

Como você pode fazer arranjos em casa com sua criança.

Na Oficina Montessori que participei em Agosto passado, aprendi que preparar uma atividade como essa, mesmo em casa, requer alguns cuidados para evitar frustrações desnecessárias na criança e no adulto.

  • Escolher uma flor sem espinhos e com caule fino para que a criança possa cortar sozinha com segurança;
  • Colocar a quantidade certa de água a ser versada da jarra para o vaso para que não transborde;
  • Verificar se todo o material necessário é adequado para a criança;
  • Testar antes sem a criança.

Se for a primeira vez que estiver fazendo um arranjo de flor com a criança, depois de preparar o ambiente, pode-se convidar a criança dizendo: agora nós vamos preparar um arranjo de flores!

Nomear a flor. Permitir que explore as partes da flor para sentir o perfume, a textura (pode até usar uma lupa para observar). Se puder colher as flores em um jardim a experiência fica ainda mais rica.

Materiais

  • Bandeja;
  • Flores;
  • Jarras;
  • Pano para secar;
  • Tesoura.

Habilidades trabalhadas

  • Ordem
  • Coordenação motora
  • Concentração

Se a criança já tiver bastante habilidade com o versar, utilizar uma marcação com fita colorida em uma jarra ou garrafa transparente e uma quantidade um pouco maior de água a ser versada, pode ser um desafio novo e interessante para a criança. É importante ter a bandeja embaixo para o caso de a água transbordar. A criança perceberá que algo não deu certo, dessa forma, não é preciso o adulto falar ou corrigir. Basta pegar o pano e convidar a criança para secar (se a criança já não tiver feito sozinha). A criança pode se recusar a secar e tudo bem. Você pode dizer que vai buscar outro pano para secarem juntos, por exemplo.

Além de enfeitar a casa e trabalhar diversas habilidades na criança, é um momento para criar vínculos e memórias afetivas que certamente ficarão guardadas para a vida toda.

Veja aqui uma belíssima apresentação da Voila Montessori

Crédito do vídeo: (https://www.youtube.com/user/VoilaMontessori)