No dia 18 de Setembro de 2020, tivemos uma conversa importante, urgente e necessária sobre a educação das crianças.

Uma história para respeitar, se inspirar, aprender e apoiar. Se você não conhece a Instituição Beneficente Lar de Maria, você precisa conhecer!
Leila Maria Ramos, Pedagoga, Assistente Social, Especialista em Ed. Infantil e no Sistema Montessori. Professora no Ensino Superior e Mestre em Educação. Leila ainda é Especialista em Violência Doméstica e Violência Sexual Doméstica Contra Crianças e Adolescentes. Leila ainda atua como Gerente da Instituição Beneficente Lar de Maria, entidade filantrópica em que implantou o Sistema Montessori desde 1985 e que hoje assiste cerca de 900 crianças em situação de vulnerabilidade social.

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Leila, ainda nos traz um texto maravilhoso para refletirmos sobre o tema que abordamos na Live.

Pensando na educação das crianças

O pensamento de Maria Montessori nos leva a interpretar que a criança suplica pela ajuda do adulto para ajudá-la crescer, mas também suplica que ela seja respeitada em seu jeito específico de ser e estar no mundo (individualidade), para que ela não se perca de si.
Urge compreendermos que crianças não são páginas em branco, mas seres humanos em pleno desenvolvimento e por isso, precisam de adultos preparados para educá-las e não para adoecê-las.

Observemos o quanto encontramos de teorias ancoradas em anos de estudos e que contaram com inúmeras pessoas debruçadas sobre possibilidades de trazer a cura emocional para o homem adulto. Entretanto, quase sempre nos esquecemos de que é imperioso pensar muito, em como educar crianças para que, quando adultos, sejam resolvidos e não precisem de cura emocional e social.

Ao pensar sobre esse assunto e quando estudamos e compreendemos o Sistema Montessori descobrimos que as crianças nem sempre são respeitadas como deveriam e até que, de tão banalizadas passa a ser normal que sejam oprimidas.

Quase sempre e a todo tempo, adultos, sejam pais e até professores, normalmente esperam da criança, atitudes e comportamentos aceitos socialmente, no entanto, por meio de uma receita, cujo modelo é “adultocentrico” e repressor e, se de alguma forma uma criança tenta expressar-se a seu modo, buscando demonstrar sua opinião, acaba sendo castigada por ser considerada desobediente ou de gênio difícil , quase “indomável”, discurso que revela o olhar do adulto para a criança, à semelhança do adestramento e domesticalizaçāo do nosso animalzinho de estimação.

Sendo assim, embora lei que a proteja, no sentido pedagógico, a criança, tal como a classe dos vulnerabilizados, não raras vezes é invisível. Dessa maneira, recebe dos pais, casa e comida; na escola, letra e número e portanto, não tem direito a voz e ou ao voto, o que a torna a cada dia, doente emocionalmente, sobretudo, dependente, birrenta e infeliz e as vezes, tirana.

É preciso compreender que toda criança nasce despida de valores e preconceitos e quem as ensina é o adulto, porque assiste como o adulto (seu modelo) age e reage sobre o mundo, sobre suas relações; com as coisas e com as pessoas.

O fato é que criança não mente, aprende a mentir; não agride, aprende a agredir. A criança, a todo instante, parece ter uma esponja que observa e absorve tudo ao seu redor (mente absorvente); permanece atenta a como o adulto se comporta observando como ele vive e sobrevive no mundo e mais adiante, vai reproduzir esse comportamento na sua prática cotidiana.

A verdeira educação deve ser capaz de mudar o mundo e de construir a paz tão desejada, mas para tal feito, depende de crianças que sejam respeitadas e compreendidas como são, entendidas como humanos vivendo um período sensível da vida: a infância. Elas, às vezes, se expressam gritando, batendo os pés, ou gesticulando com veemência porque ainda não conseguem argumentar.

Portanto, crianças, desde que nascem, precisam ser escutadas com amor e respeitadas em seu ritmo e potencialidades, pois só assim serão capazes de aprender a autonomia e a alegria em descobrir por si, as coisas do mundo; para futuramente se tornarem protagonistas e de se tornarem adultos, capazes de lutar pelo seu direito e pelo direito de sua comunidade; adultos saudáveis emocionalmente, com amor à, e pela vida!.

Não estamos aqui dizendo que a criança pode fazer o que bem quiser, pois bem sabemos que ela precisa de segurança e cuidado e por vezes, de limites. Entretanto, isso não pode impedi-las de viver em um ambiente rico em experiências que demonstre à ela, nossa plena confiança em seu potencial e em sua capacidade de descobrir por si, a lógica das coisas.

Da mesma maneira precisa também, do irrestrito reconhecimento e aceitação da pertença e da participação, reconhecida como membro da família e da comunidade, com todo direito de expressar-se diante da vida.

Elas, as crianças, não podem se tornar o centro de todas as vontades da casa e da escola, de modo que todos sucumbam para servirem seus caprichos, pois desse modo, criaríamos ditadores e até verdadeiros tiranos. No entanto, carecemos ponderar por uma educação permeada pela amorosidade e pela escolha em ambiente constantemente preparado, rico e desafiador, capaz de respeitar e sobretudo, lhes oferecer exemplos adultos de dignidade, empatia e respeito por si, pelo outro adulto, pela criança e pelo ambiente que a rodeie.

Sendo assim, pais e professores precisam se unir para fazer da educação, uma formação para a vida que por sua vez, deve estar recheada de desafios que permitam às crianças sentirem o valor da solidariedade e da empatia, às vezes também, precisam suportar o dissabor das frustrações, mas em todas as oportunidades e momentos (bons ou ruins), com ternura.

Montessori afirmou com sabedoria que “a criança é pai do homem”, pois ela descobriu que ela é capaz de auto-educar-se, entretanto, desde que, convivendo em um ambiente cuidado e preparado para e com amor e liberdade; respeito e dignidade tornando então possível que ela se torne um adulto sem necessidade da cura emocional.

Desse modo com certeza, sem violência, a criança será capaz de conduzir a tão sonhada bandeira de transformação do mundo para então descobrir, construir e viver em um lugar melhor, em um mundo pacifico, solidário justo e acima de tudo, autônomo, consciente e feliz!

Prof. Leila Maria Ramos