Roupas como ajuda ao desenvolvimento
- Caminhar Montessori

- 30 de abr.
- 8 min de leitura
Atualizado: 26 de mai.
Escolhendo as peças certas para a sua criança
Maria Montessori e Silvana Montanaro ressaltavam a importância do contato pele a pele entre mamãe e bebê e sugerem que o recém-nascido passe a maior parte do tempo apenas de fralda, aquecido pelo calor humano e do ambiente. As médicas enfatizavam que roupas inadequadas podem comprometer a sensibilidade da delicada pele infantil. Contudo, sabemos que a depender do clima local e da ocasião, roupas são necessárias.
Neste caso, é essencial que as roupas sejam:
leves, confortáveis e que permitam liberdade de movimento.
de tecidos de fibras naturais, evitando tecidos sintéticos.
compostas por duas peças, evitando macacões ou bodies, pois essas peças podem restringir os movimentos e a percepção do seu esquema corporal.
sem zíperes, botões, ornamentos ou elástico muito forte.
Nos tempos modernos, a adultização precoce das crianças, especialmente das meninas, é outra preocupação, pois elas são frequentemente pressionadas a adotar estilos de vida e produtos que não são apropriados para a sua idade.
Felizmente, a indústria têxtil tem se voltado para soluções mais naturais e orgânicas, oferecendo uma perspectiva promissora para atender às necessidades da pele sensível das nossas crianças.
Roupas como apoio ao movimento

Antes de preparar o enxoval, comprar e confeccionar as peças que acompanharão a criança, o adulto precisa ter conhecimento sobre cada etapa de crescimento e desenvolvimento da criança. Necessita ter em mente que este ser humano que a família receberá, será uma criança com habilidades e conhecimentos novos, todos os dias. O conhecimento ajudará a família a investir seu tempo e dinheiro nas coisas que são realmente essenciais para um desenvolvimento saudável.
A família precisa saber observar a criança, registrar e acompanhar seus progressos, e a partir disso, preparar um ambiente que atenda suas necessidades de crescimento e desenvolvimento. A roupa é parte desse ambiente.
Assim, o adulto precisa observar cuidadosamente, se a roupa da criança está adequada para as necessidades do momento, se não dificulta ou impede os movimentos voluntários, se não incomoda. Macacões que cobrem o corpo todo da criança, por exemplo, são um obstáculo e nem sempre nos damos conta. Pés, assim como as mãos são pontos de referência para a criança recém-nascida, ela precisa poder tocá-los e não perdê-los dentro da roupa. Quando cresce um pouco mais e começa a se arrastar e a engatinhar, suas pernas, por vezes, se enroscam na roupa e quando ela tenta se mover, escorrega, se frustra e pode até ser causa de acidentes.
Além disso, o processo de mielinização, assim como do cerebelo, faz com que a criança desenvolva membros superiores e inferiores em momentos diferentes, logo, é mais lógico que as vestimentas acompanhem esses desenvolvimentos distintos e que as peças sejam separadas.
Em verdade, como vimos antes, o ideal é que a criança permaneça a maior parte do tempo apenas com as fraldas de pano. As fraldas também merecem atenção, pois não devem ser confeccionadas com um tecido excessivamente grosso, já que isso pode torná-las muito pesadas para a criança enquanto se movimenta.
Outro ponto que vale ressaltar é o tamanho da roupa. Não deve ser pequena e apertada, nem grande demais, mas adequada ao seu tamanho, de modo que a criança se sinta confortável e livre para se movimentar. Uma roupa inadequada pode transmitir-lhe a mensagem de que ela não é capaz, e causar-lhe sucessivas frustrações. Em razão disso, é primordial remover das gavetas e armários todas as peças que obstaculizam o seu desenvolvimento. Roupas como vestidos muito ornamentados não favorecem o movimento.
Lembre-se: Ao investir em uma peça nova, leve em conta todos os critérios, especialmente, a liberdade de movimento, que seus pés estejam livres tanto quanto puder e que mantenha sua temperatura corporal.
Roupas como ajuda à independência

Assim como o adulto precisa de roupas adequadas para praticar atividades físicas, a criança precisa de roupas adequadas para se exercitar livremente em todos os momentos do dia, pois ela está a se exercitar o tempo todo.
Embora não seja tão evidente, o recém-nascido dá pequenos passos em direção a sua independência. Uma habilidade revelada hoje, foi treinada e internalizada ao longo dos dias, e se não observarmos atentamente a criança diariamente, pode ser que nem percebamos esse desenvolvimento progressivo. Por isso, desde o nascimento, a roupa tem um papel importante também no desenvolvimento da independência. Para desenvolver habilidades, ela precisa se movimentar livremente, e para se movimentar livremente, ela precisa de roupas adequadas e que favoreçam esse trabalho tão importante. A criança avança diariamente, e aos poucos, crescerá a vontade de participar e colaborar ativamente das atividades que envolvem o seu corpo e o ambiente como um todo.
Repassando alguns critérios importantes, a roupa adequada para a criança:
Não marca a sua pele.
Não obstrui a circulação sanguínea.
Não pressiona seus sistemas digestivo e respiratório.
Não lhe causa alergias e incômodos, deixa suas mãos e pés livres.
As peças são separadas, em respeito ao desenvolvimento distinto entre os membros superiores e inferiores.
As peças devem levar em consideração as habilidades motoras da criança para abrir e fechar velcros, zíperes, botões, fivelas, cadarços. Para a criança em tenra idade, esses itens, além de causar desconfortos físicos, lhe causam muita frustração.
Esses itens podem ser inseridos, aos poucos, levando em conta o grau de complexidade, bem como, as habilidades motoras e intelectuais da criança. Isso se dá depois que a criança conquista o equilíbrio, o caminhar e tem as mãos livres para trabalhar a serviço da inteligência. Isto porque, nessa fase, a criança se sente pronta para desafios maiores.
Seguindo suas tendências e sensibilidades biológicas, desejará fazer as coisas com autonomia e independência, especialmente, vestir-se, despir-se, calçar seus sapatos e etc. Ela deseja repetir cada ação infinitas vezes como já sabemos, e com isso desenvolve também a concentração, coordena e refina seus movimentos, bem como, a vontade e a obediência. Logo, inserido no momento certo, esses itens passam a ter um propósito útil ao desenvolvimento da independência da criança.
Todo esse trabalho pode ser perdido se a criança tiver de se preocupar ou se frustrar com vestimentas inadequadas, em momentos inapropriados.
Roupas para recém-nascidos

Como vimos antes, a pele do bebê é extremamente sensível e delicada. A roupa que lhe veste deve transmitir a sensação de afeto, cuidado, suavidade, conforto, comodidade, segurança e liberdade. Além disso, a criança recém-chegada ao mundo ainda não sabe como controlar a temperatura do seu corpo. Quando não está aquecido pelo calor materno, o corpo do recém-nascido precisa ser revestido com roupas adequadas ao clima e a temperatura do seu novo ambiente. Para tanto, algumas peças são essenciais.
Roupas para a parte superior (tronco)
Primeira capa: uma camiseta sem mangas, com costura invisível ou invertida (tipo um pagão), em tecido de algodão ou seda.
Segunda capa: uma camiseta de manga curta ou longa, com costura invisível ou invertida, que se cruze na frente de seu corpo, em tecido de algodão ou seda.
Terceira capa: a depender da temperatura, a cobertura de cima será mais leve ou mais grossa. Em um clima mais frio pode-se vestir um tipo de colete de lã ou outro tecido de fibra natural, que seja suficiente para aquecer seu corpo.
Gorro: nos primeiros dias, sobretudo, nas primeiras horas após o nascimento, um gorro ajudará a mantê-la aquecida. É importante considerar que a costura deve ser invertida ou ser vestida com a costura para fora.
Essas três camadas são necessárias para aquecer a parte superior, que abriga o coração e precisa manter-se aquecida para que o sangue bombeado possa fluir naturalmente.
Roupas para a parte inferior
Fraldas de pano: na parte inferior deve-se vestir fraldas de pano, com revestimento impermeável.
Calças: em uma clima mais frio, pode-se usar calças de algodão, com um cós que não pressione a sua barriga e mantenha seus pés livres.
Meias: em um clima mais frio, pode-se usar meias suaves e que não pressionem muito a pele.
Lençol ou manta: em um clima mais frio, pode-se usar uma manta ou lençol para manter a criança aquecida.
O tipo ideal de roupa não contém botões que toquem sua pele. Outro ponto importante é que, nas primeiras semanas, as roupas não devem ter golas que precisem passar pela sua cabeça. Passar a roupa pela cabeça da criança recém-nascida a fará recordar da sua passagem pelo canal uterino, que pode ter sido um evento traumático.
O topponcino é outra peça importante. Este item protege a criança de movimentos bruscos e faz com que ela se sinta mais segura e protegida quando necessitar ir ao colo de outro adulto ou criança mais velha, com um irmãozinho.
Tecidos que respeitam a pele da criança

Tecidos de fibras naturais são os mais indicados para as crianças. Eles se dividem em:
animais: lã, seda, couro, etc.
vegetais: algodão, linho, cânhamo, coco, bambu, etc.
minerais: ouro, lata, etc.
Os tecidos tecnológicos são os menos indicados para crianças. Eles se dividem em:
artificiais: celulose e rayon.
sintéticos: nylon, poliéster, vinil, polar e etc.
Os tecidos que mais respeitam a pele sensível da criança pequena são os de fibras naturais animais e vegetais. Tecidos de fibra natural mineral, bem como, os tecnológicos devem ser evitados até os 3 anos de idade, sobretudo, no primeiro ano, pois podem causar alergias e obstaculizar os movimentos da criança.
Um ponto importante a se ter em conta é que a primeira capa de roupa que toca a pele do recém-nascido deve ter costura invertida ou ser vestida ao avesso para evitar qualquer tipo de desconforto.
Os tecidos com fibras naturais exigem cuidados especiais na lavagem, especialmente, as roupas das crianças. Vejamos alguns cuidados importantes.
Todas as roupas da criança devem ser previamente lavadas antes do uso;
As roupas da criança devem ser lavadas separadas das dos adultos;
Deve-se utilizar produtos neutros, de preferência, orgânicos.
Tecidos de fibras naturais exigem cuidados especiais na lavagem. Atente-se às instruções de lavagem na etiqueta das roupas.
Caso algum membro da família trabalhe ou tenha contato com ambientes ou agentes nocivos, precisa lavar-se e trocar-se antes de tocar a criança.
As fraldas de pano devem ser deixadas de molho em água quente, sabão neutro ou vinagre antes de ir para a máquina de lavar. Caso fiquem amareladas, pode-se ferver com casca de ovo.
Se a roupa tiver botões de metal, é preciso observar se está em bom estado.
Tecidos de fibras naturais, principalmente o algodão, costumam encolher após a lavagem. Considere isso ao escolher o tamanho das roupas.
O tecido deve permitir a respiração e transpiração natural da pele.
A roupa deve permitir que a criança controle a sua temperatura corporal.
A seda é um tecido térmico, se adapta muito bem ao frio ou calor e é um bom tecido para ser usado com lã.
Calçados

A sensibilidade sensorial é uma das primeiras janelas de oportunidade que se abre para a criança, iniciando-se ainda no ventre materno e se estendo até mais ou menos os dois anos de idade.
Quando falamos em exploração sensorial e pontos de referência, é comum lembrarmos imediatamente das mãos, contudo, os pés também são pontos de referência, também tem sensibilidade sensorial, logo, também necessitam de oportunidade de explorar o ambiente.
Por isso, é importante que a criança passe a maior parte do tempo com os pés livres. Ao nascer, os pés da criança são planos e sua curvatura é formada a partir da experiência no ambiente. Esse é mais um importante motivo para que a criança exercite seus pés e termine de moldá-lo de maneira saudável e natural.
A teoria é linda. Mas como montar esse guarda-roupa na prática?
Você já entendeu que vestir seu bebê vai muito além da estética. É sobre respeito ao movimento, estímulo à autonomia e um profundo cuidado com a pele que o conecta ao mundo.
Mas, ao abrir a gaveta vazia, surgem as dúvidas reais: Quantos peças são realmente necessárias? Como equilibrar propósito, funcionalidade e o orçamento da família?
É para transformar essa incerteza em confiança que existe a Orientação Personalizada. Nela, não criamos apenas uma lista. Nós desenhamos juntas um plano para um guarda-roupa minimalista e inteligente. E vamos além: para as peças mais simbólicas — aquelas que primeiro tocarão a pele do seu bebê — você receberá as instruções para confeccioná-las com suas próprias mãos, a camiseta do bebê (primeira capa) e o topponcino.
O resultado é um enxoval de roupas que não só respeita o desenvolvimento da sua criança, mas que carrega o seu afeto em cada fibra. É a tranquilidade de ter exatamente o que precisa, com o máximo de significado.
Para darmos o primeiro passo nesta jornada, você pode agendar a sessão inicial aqui.
Vamos caminhar juntos!



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