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O ambiente Montessori no lar

Montessori no ambiente doméstico

Generalidades do ambiente montessoriano para crianças de 0 a 3 anos

Ambiente humano

     Podemos considerar como ambiente tudo o que está ao nosso redor, seja vivo ou não-vivo, físico ou não-físico.

    Devemos levar em conta que o ambiente deve ser flexível para acompanhar o crescimento e o desenvolvimento físico e intelectual da criança, isto porque, conforme a criança cresce suas necessidades mudam e o ambiente precisa ser transformado.

     Deve-se levar em conta o momento delicado e sensível que envolve o bebê recém-chegado ao mundo, sabendo que tudo o que o rodeia impactará sua vida agora e no futuro, de maneira positiva ou negativa. Em razão disso, ao pensar no ambiente doméstico para crianças de 0 a 3 anos, devemos preparar um ambiente prático, funcional, seguro, higiênico, baseado na realidade e cultura da família. Esse ambiente também deve ser belo e atraente, de maneira que a criança se sinta atraída por ele.

     Desde o nascimento, a família pode trabalhar a observação científica, e a partir dela avançar nos estudos sobre o desenvolvimento da criança. 

     É de suma importância que o ambiente físico oportunize a criança uma atmosfera de liberdade, onde seja livre para se mover, agir e pensar de acordo com suas leis internas, seu guia interior, e assim, desenvolver suas tendências humanas, externalizar suas energias criativas, suas potencialidades e satisfazer suas sensibilidades biológicas, pois disso depende sua autoconstrução.    

     Assim como o ambiente físico, o ambiente não-físico exige muita atenção e diz respeito aos seres humanos que se relacionam diretamente com a criança, pois a conduta dos adultos terá reflexos nos comportamentos da criança. Devemos estar atentos a como nos relacionamos com a criança e com os outros adultos.  

     Outro aspecto importante é como satisfazemos as necessidades da criança, sem nos esquecermos de que os adultos são os modelos, as referências a quem a criança deseja imitar criativamente e obedecer gradualmente. A forma como nos expressamos e nos movemos impactará diretamente o comportamento da criança. Isso não quer dizer que devemos ser adultos perfeitos, mas que devemos nos esforçar para sermos a melhor versão de nós mesmos, e por consequência, oferecer o nosso melhor para a criança.

     Uma das tarefas mais importantes do adulto, é preparar um ambiente físico e não-físico que satisfaça as necessidades de cada etapa de desenvolvimento da criança. Um ambiente onde a criança seja livre para esforçar-se e concentrar-se em atividades com propósito útil, sobretudo, para o desenvolvimento da vontade.

     No lar, a mãe é o adulto mais próximo da criança e que constrói o primeiro vínculo afetivo, onde se cria um apego forte e importante para a formação do caráter, bem como, o desenvolvimento psicológico e emocional da criança, que terão efeito ao longo da vida. O bebê precisa de contato pele a pele, de sentir o cheiro natural da mãe, ouvir as batidas do seu coração, o tom da sua voz, o ritmo da sua respiração, necessita sentir-se seguro, protegido, cuidado e amado.  

     Passado o intenso período simbiótico, aos poucos, a mãe deve ir cortando o cordão umbilical psicológico e colocar a criança em contato com outras pessoas e com o ambiente externo para que a criança possa se autoconstruir e cumprir a sua tarefa cósmica.

     Para que esse desenvolvimento ocorra de maneira saudável, é preciso levar em conta componentes importantes que podem influenciar de maneira positiva ou negativa o modo de vida da criança, a depender da forma como a criança for inserida nele.  São eles: 

  • Naturais: Os componentes naturais influenciam a forma como a criança irá se desenvolver. Um exemplo disso, é o clima. Culturalmente, uma criança que nasce no continente africano se desenvolverá de maneira diferente de uma criança nascida no Polo Norte, uma vez que serão inseridas em hábitos e costumes diferentes. 

  • Biológicos: Plantas, animais, seres vivos. Uma criança nascida em uma metrópole terá menos oportunidade de convívio com a natureza, animais, plantas e etc. do que uma criança indígena, por exemplo. A forma como cada uma das crianças crescerá certamente afetará seu comportamento.

  • Humanos: O componente humano envolve todas as pessoas que se relacionam com a criança: família, instituições e grupos sociais. 

     Qualquer que seja o ambiente onde a criança irá crescer e se desenvolver, é necessário garantir a sua integridade física e psicológica, sobretudo, um ambiente onde os pais ou cuidadores sejam estáveis, pois confiando nos adultos que têm como referência, ela criará a confiança básica em si mesma, no seu entorno e poderá se relacionar de maneira saudável com outras pessoas. Além disso, devemos pensar que a criança extrairá desse ambiente, os elementos necessários ao seu desenvolvimento, para a sua compreensão do mundo. Ela fará isso por meio da sua mente absorvente, em uma fase em que ainda não distingue o bem e o mal, o certo e o errado. 

    Não é uma tarefa simples transformar o olhar dos adultos e fazê-los compreender que a criança recém-chegada ao mundo carrega um corpo frágil, que exige cuidado e sensibilidade, ao mesmo tempo em que esconde um cérebro incrivelmente estruturado e uma mente brilhante, no entanto, é uma missão que assumimos como guias montessorianas: educar pais, avós, tios, profissionais da saúde, educadores e todas as pessoas que farão parte da vida da criança, pois todos os humanos que a cercam servirão como modelo e impactarão a formação do seu caráter, do seu intelecto, das suas emoções e da sua vida psíquica.

     É uma responsabilidade enorme que caberá também à mãe, como primeira e mais importante referência da criança, mas a genitora não deve ser abandonada à própria sorte, deve contar com uma rede de apoio que lhe ofereça suporte físico, emocional e psicológico. A mãe não necessitará de alguém que lhe arranque o filho de seus braços, mas que cuide do ambiente físico e não-físico enquanto ela e o bebê se recuperam do parto e do nascimento. O papel do pai é de suma importância nesse processo, pois ele atua como uma  "barreira protetora", zelando pelo bem-estar da dupla mamãe-bebê. 

 

​​​​Elementos do ambiente

​​

     Do nascimento aos três anos, a criança passa por sucessivas fases de crescimento e desenvolvimento, e o ambiente deve se transformar de acordo com cada fase. Em razão disso, nos três primeiros anos de vida, para o ambiente doméstico, devemos pensar em três etapas distintas que exigem ambientes distintos. São eles:

 

  • Do nascimento aos 5 meses

  • De 5 a 12 meses

  • De 12 a 36 meses

     Importante ressaltar que esses ambientes não precisam ser transformados ao soprar das velas, mas sim de acordo com o desenvolvimento da criança. É através da observação atenta que descobriremos qual o momento certo para transformarmos o ambiente.  O ambiente doméstico deve contar com quatro áreas, que serão transformadas de acordo com as distintas etapas. São elas: 

  • Área para dormir

  • Área para cuidados físicos

  • Área para comer

  • Área para movimento/trabalho

     A família deve oferecer à criança um espaço reservado, onde cada área possa estar disposta de maneira estruturada, adequada e organizada para a criança servir-se dela. Ainda que a família não conte com um quarto que possa ser destinado com exclusividade para a criança, a privacidade dos pais, como da criança, deve ser garantida. Neste caso, vale encontrar alternativas como a separação por uma cortina, um biombo, uma divisória. Essa divisão é importante para a criança se acostumar que ela tem o seu espaço, assim como seus pais têm o espaço deles, e que o espaço de cada um deve ser respeitado. Também ajuda a criar uma rotina e uma ordem estruturada. A organização externa ajuda a criança a criar a sua ordem interna. Desde muito cedo, devemos explicar para a criança: "aqui é sua cama, é onde você dorme; este é seu espaço de movimento, é onde você trabalha". Dessa forma, passamos previsibilidade e segurança para a criança, que por sua vez, terá mais confiança em si mesma. Quando a família não conta com o ambiente ideal, pode buscar alternativas, sendo fundamental, que as alternativas garantam a segurança, a separação dos espaços e a ordem.

     As cores podem ser peças importantes para separar cada área do ambiente. Cores claras, em tom pastel, além de causar a impressão de um ambiente mais amplo, dão um toque de beleza e suavidade. Ao usar cores, deve-se tomar cuidado para não causar um ambiente super estimulante.

     Nesse espaço, também podem ser inseridos objetos que remetem à cultura da família ou do seu povo, bem como, obras de arte. Lembrando que tudo no ambiente deve ser adequado para a criança e estar na altura dos seus olhos, para que a criança possa apreciar.  

     Um dos elementos mais importantes do ambiente diz respeito a iluminação, que deve, preferencialmente, ser natural. Caso não seja possível, a luz artificial deve garantir uma boa iluminação.     

Também devemos estar atentos à ventilação do ambiente, evitando correntes de ar, sobretudo, na área de dormir.

     A temperatura do ambiente deve ser constantemente observada, garantindo que esteja sempre agradável para o bebê. Um ambiente com uma temperatura confortável favorece o trabalho e a concentração do bebê. Devemos pensar em uma temperatura equilibrada, considerando a temperatura externa. Outro ponto importante que devemos estar atentos diz respeito a umidade do ar, que pode afetar até mesmo a saúde da criança.  

     Desde o nascimento, é preciso pensar nos materiais que serão colocados à disposição da criança. Esses materiais devem ser seguros, proporcionais ao tamanho da criança, bonitos, atraentes, estar completos, trazer cultura, oferecer um propósito inteligente, e principalmente, que seja real, funcional e prático. Sempre que possível, os materiais devem ser produzidos com materiais nobres como madeira, tecido, couro etc., sempre evitando plástico ou materiais sintéticos.

     Todos esses elementos podem ser melhor analisados se, ao preparar o ambiente, observarmos e sentirmos tudo o que o envolve do ponto de visão da criança.

​​​​​Características gerais do ambiente doméstico para a criança 

  • ​Beleza: O ambiente e os materiais empregados devem ser visualmente agradáveis e acolhedores, transmitindo uma sensação de cuidado, aconchego e ternura. É indispensável que o bebê se sinta amado e acolhido em seu novo espaço, sobretudo durante o período de adaptação ao ambiente físico.

  • Flexibilidade: O ambiente deve ser dinâmico e adaptável às mudanças no desenvolvimento do bebê e às suas necessidades em constante evolução.

  • Cultura: Desde tenra idade, devemos proporcionar à criança um ambiente esteticamente agradável, sobretudo, que essa beleza possa expressar cultura. A expressão da cultura pode se dar através de músicas de boa qualidade, obras de arte, um traje ou comida típica. Importante frisar que a criança deve ter oportunidade de explorar, tocar, vivenciar e experimentar livremente esse ambiente.

  • Higiene:  Faz parte do desenvolvimento natural da criança, que nessa fase, também conhecida como fase oral, ela leve tudo que está em suas mãos à boca. Devemos respeitar o direito da criança de satisfazer essa necessidade oral e cuidar para que todos os objetos colocados à sua disposição estejam devidamente higienizados.

  • Ordem: Uma das sensibilidades biológicas das crianças nessa fase é a ordem. Como mencionamos antes, através da ordem no ambiente a criança cria a ordem na sua mente, no seu interior. Para tanto, devemos oferecer um ambiente ordenado. Do ponto de vista físico, essa ordem significa que cada coisa deve ter o seu lugar e um propósito. Do ponto de vista psicológico, significa que a criança precisa de uma rotina estruturada, que lhe dê previsibilidade do que vai acontecer, em que sequência vai acontecer e que isso se repete todos os dias. Por isso, é de extrema importância que, desde o início, os adultos sejam consistentes e coerentes em mostrar onde e como fazemos as coisas.   

  • Praticidade: Esse é um aspecto que, nos primeiros meses de vida do bebê, deve levar em consideração não apenas as necessidades da criança, mas também dos adultos. Isto porque, essa é uma fase que exige muito fisicamente, já que a criança passa a maior parte do tempo junto com o adulto que o carrega, troca a sua fralda, cuida da sua higiene. Logo, esse adulto precisa que todas as coisas de que necessita sejam adequadas e organizadas de maneira prática e confortável para si.

  • Segurança: Criar um ambiente seguro é a principal responsabilidade do adulto. Esse ambiente seguro cria uma atmosfera de liberdade tanto para o adulto quanto para a criança. O adulto se sente encorajado em deixar a criança livre quando sabe que o ambiente é seguro, a criança, sentindo confiança no adulto e no ambiente, aumenta a confiança em si mesmo. Faz parte da missão da guia montessoriana, orientar e acompanhar as famílias nesse processo, fornecendo informações claras e precisas sobre a importância da preparação do ambiente e dos materiais. 

Você leu a filosofia. Agora, vamos desenhar o seu mapa.

   É muita informação, eu sei. A responsabilidade de criar um ambiente que nutre um ser humano em sua fase mais crucial é, ao mesmo tempo, inspiradora e paralisante.

  A questão não é mais "o que fazer?", mas "por onde começar?". Como conectar todos esses pontos — as áreas, as fases, os elementos, as características — em um plano que funcione na sua casa, com a sua rotina e a sua história?

   É exatamente este o propósito da Orientação Personalizada: traduzir toda a profundidade da filosofia Montessori em um plano de ação claro e executável para a sua família.

Juntas, nós olhamos para o seu espaço e o transformamos em um ambiente funcional e com propósito. Definimos as áreas, selecionamos os materiais essenciais e, o mais importante:  construímos a sua confiança para observar seu filho e saber exatamente como adaptar o lar a cada nova etapa.

   O objetivo é que você termine nosso encontro não com mais uma lista de tarefas, mas com a paz de espírito de saber que seu lar é o melhor ninho possível para o florescer da sua criança.

Não há nada para agendar agora. Verifique em breve.

©2023 por Caminhar Montessori

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