Roupas para crianças em geral

Maria Montessori e Silvana Montanaro ressaltavam a importância do contato pele a pele entre mamãe e bebê e sugerem que o recém-nascido passe a maior parte do tempo apenas de fralda, aquecido pelo calor humano e do ambiente. As médicas enfatizavam que roupas inadequadas podem comprometer a sensibilidade da delicada pele infantil. Contudo, sabemos que a depender do clima local e da ocasião, roupas são necessárias.
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Neste caso, é essencial que as roupas sejam:
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leves, confortáveis e que permitam liberdade de movimento.
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de tecidos de fibras naturais, evitando tecidos sintéticos.
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compostas por duas peças, evitando macacões ou bodies, pois essas peças podem restringir os movimentos e a percepção do seu esquema corporal.
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sem zíperes, botões, ornamentos ou elástico muito forte.
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Nos tempos modernos, a adultização precoce das crianças, especialmente das meninas, é outra preocupação, pois elas são frequentemente pressionadas a adotar estilos de vida e produtos que não são apropriados para a sua idade.
Felizmente, a indústria têxtil tem se voltado para soluções mais naturais e orgânicas, oferecendo uma perspectiva promissora para atender às necessidades da pele sensível das nossas crianças.
Roupas apoiam o movimento

Antes de preparar o enxoval, comprar e confeccionar as peças que acompanharão a criança, o adulto precisa ter conhecimento sobre cada etapa de crescimento e desenvolvimento da criança. Necessita ter em mente que este ser humano que a família receberá, será uma criança com habilidades e conhecimentos novos, todos os dias. O conhecimento ajudará a família a investir seu tempo e dinheiro nas coisas que são realmente essenciais para um desenvolvimento saudável.
A família precisa saber observar a criança, registrar e acompanhar seus progressos, e a partir disso, preparar um ambiente que atenda suas necessidades de crescimento e desenvolvimento. A roupa é parte desse ambiente.
Assim, o adulto precisa observar cuidadosamente, se a roupa da criança está adequada para as necessidades do momento, se não dificulta ou impede os movimentos voluntários, se não incomoda. Macacões que cobrem o corpo todo da criança, por exemplo, são um obstáculo e nem sempre nos damos conta. Pés, assim como as mãos são pontos de referência para a criança recém-nascida, ela precisa poder tocá-los e não perdê-los dentro da roupa. Quando cresce um pouco mais e começa a se arrastar e a engatinhar, suas pernas, por vezes, se enroscam na roupa e quando ela tenta se mover, escorrega e se frustra.
Além disso, o processo de mielinização, assim como do cerebelo, faz com que a criança desenvolva membros superiores e inferiores em momentos diferentes, logo, é mais lógico que as vestimentas acompanhem esses desenvolvimentos distintos e que sejam separados.
Em verdade, como vimos antes, o ideal é que a criança permaneça a maior parte do tempo apenas com as fraldas de pano. As fraldas também merecem atenção, pois não devem ser confeccionadas com um tecido excessivamente grosso, já que isso pode torná-las muito pesadas para a criança enquanto se movimenta.
Outro ponto que vale ressaltar é o tamanho da roupa. Não deve ser pequena e apertada, nem grande demais, mas adequada ao seu tamanho, de modo que a criança se sinta confortável e livre para se movimentar. Uma roupa inadequada pode transmitir-lhe a mensagem de que ela não é capaz, e causar-lhe sucessivas frustrações. Em razão disso, é primordial remover das gavetas e armários todas as peças que obstaculizam o seu desenvolvimento. Roupas como vestidos muito ornamentados não favorecem o movimento.
Lembre-se: Ao investir em uma peça nova, leve em conta todos os critérios, especialmente, a liberdade de movimento, que seus pés estejam livres tanto quanto puder e que mantenha sua temperatura corporal.
Roupas apoiam a independência

Assim como o adulto precisa de roupas adequadas para praticar atividades físicas, a criança precisa de roupas adequadas para se exercitar livremente em todos os momentos do dia, pois ela está a se exercitar o tempo todo.
Embora não seja tão evidente, o recém-nascido dá pequenos passos em direção a sua independência. Uma habilidade revelada hoje, foi treinada e internalizada ao longo dos dias, e se não observarmos atentamente a criança diariamente, pode ser que nem percebamos esse desenvolvimento progressivo. Por isso, desde o nascimento, a roupa tem um papel importante também no desenvolvimento da independência. Para desenvolver habilidades, ela precisa se movimentar livremente, e para se movimentar livremente, ela precisa de roupas adequadas e que favoreçam esse trabalho tão importante. A criança avança diariamente, e aos poucos, crescerá a vontade de participar e colaborar ativamente das atividades que envolvem o seu corpo e o ambiente como um todo.
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Repassando alguns critérios importantes, a roupa adequada para a criança:
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Não marca a sua pele.
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Não obstrui a circulação sanguínea.
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Não pressiona seus sistemas digestivo e respiratório.
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Não lhe causa alergias e incômodos, deixa suas mãos e pés livres.
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As peças são separadas, em respeito ao desenvolvimento distinto entre os membros superiores e inferiores.
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As peças devem levar em consideração as habilidades motoras da criança para abrir e fechar velcros, zíperes, botões, fivelas, cadarços. Para a criança em tenra idade, esses itens, além de causar desconfortos físicos, lhe causam muita frustração.
Esses itens podem ser inseridos, aos poucos, levando em conta o grau de complexidade, bem como, as habilidades motoras e intelectuais da criança. Isso se dá depois que a criança conquista o equilíbrio, o caminhar e tem as mãos livres para trabalhar a serviço da inteligência. Isto porque, nessa fase, a criança se sente pronta para desafios maiores.
Seguindo suas tendências e sensibilidades biológicas, desejará fazer as coisas com autonomia e independência, especialmente, vestir-se, despir-se, calçar seus sapatos e etc. Ela deseja repetir cada ação infinitas vezes como já sabemos, e com isso desenvolve também a concentração, coordena e refina seus movimentos, bem como, a vontade e a obediência. Logo, inserido no momento certo, esses itens passam a ter um propósito útil ao desenvolvimento da independência da criança.
Todo esse trabalho pode ser perdido se a criança tiver de se preocupar ou se frustrar com vestimentas inadequadas, em momentos inapropriados.
Roupas para recém-nascidos

Como vimos antes, a pele do bebê é extremamente sensível e delicada. A roupa que lhe veste deve transmitir a sensação de afeto, cuidado, suavidade, conforto, comodidade, segurança e liberdade. Além disso, a criança recém-chegada ao mundo ainda não sabe como controlar a temperatura do seu corpo. Quando não está aquecido pelo calor materno, o corpo do recém-nascido precisa ser revestido com roupas adequadas ao clima e a temperatura do seu novo ambiente. Para tanto, algumas peças são essenciais.
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Roupas para a parte superior (tronco)
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Primeira capa: uma camiseta sem mangas, com costura invisível ou invertida (tipo um pagão), em tecido de algodão ou seda.
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Segunda capa: uma camiseta de manga curta ou longa, com costura invisível ou invertida, que se cruze na frente de seu corpo, em tecido de algodão ou seda.
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Terceira capa: a depender da temperatura, a cobertura de cima será mais leve ou mais grossa. Em um clima mais frio pode-se vestir um tipo de colete de lã ou outro tecido de fibra natural, que seja suficiente para aquecer seu corpo.
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Gorro: nos primeiros dias, sobretudo, nas primeiras horas após o nascimento, um gorro ajudará a mantê-la aquecida. É importante considerar que a costura deve ser invertida ou ser vestida com a costura para fora.
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Essas três camadas são necessárias para aquecer a parte superior, que abriga o coração e precisa manter-se aquecida para que o sangue bombeado possa fluir naturalmente.
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Roupas para a parte inferior
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Fraldas de pano: na parte inferior deve-se vestir fraldas de pano, com revestimento impermeável.
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Calças: em uma clima mais frio, pode-se usar calças de algodão, com um cós que não pressione a sua barriga e mantenha seus pés livres.
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Meias: em um clima mais frio, pode-se usar meias suaves e que não pressionem muito a pele.
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Lençol ou manta: em um clima mais frio, pode-se usar uma manta ou lençol para manter a criança aquecida.
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O tipo ideal de roupa não contém botões que toquem sua pele. Outro ponto importante é que, nas primeiras semanas, as roupas não devem ter golas que precisem passar pela sua cabeça. Passar a roupa pela cabeça da criança recém-nascida a fará recordar da sua passagem pelo canal uterino, que pode ter sido um evento traumático.
O topponcino é outra peça importante. Este item protege a criança de movimentos bruscos e faz com que ela se sinta mais segura e protegida quando necessitar ir ao colo de outro adulto ou criança mais velha, com um irmãozinho.
Tecidos que respeitam a pele da criança

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Tecidos de fibras naturais são os mais indicados para as crianças. Eles se dividem em:
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animais: lã, seda, couro, etc.
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vegetais: algodão, linho, cânhamo, coco, bambu, etc.
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minerais: ouro, lata, etc.
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Os tecidos tecnológicos são os menos indicados para crianças. Eles se dividem em:
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artificiais: celulose e rayon.
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sintéticos: nylon, poliéster, vinil, polar e etc.
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Os tecidos que mais respeitam a pele sensível da criança pequena são os de fibras naturais animais e vegetais. Tecidos de fibra natural mineral, bem como, os tecnológicos devem ser evitados até os 3 anos de idade, sobretudo, no primeiro ano, pois podem causar alergias e obstaculizar os movimentos da criança.
Um ponto importante a se ter em conta é que a primeira capa de roupa que toca a pele do recém-nascido deve ter costura invertida ou ser vestida ao avesso para evitar qualquer tipo de desconforto.
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Os tecidos com fibras naturais exigem cuidados especiais na lavagem, especialmente, as roupas das crianças. Vejamos alguns cuidados importantes.
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Todas as roupas da criança devem ser previamente lavadas antes do uso;
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As roupas da criança devem ser lavadas separadas das dos adultos;
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Deve-se utilizar produtos neutros, de preferência, orgânicos.
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Tecidos de fibras naturais exigem cuidados especiais na lavagem. Atente-se às instruções de lavagem na etiqueta das roupas.
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Caso algum membro da família trabalhe ou tenha contato com ambientes ou agentes nocivos, precisa lavar-se e trocar-se antes de tocar a criança.
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As fraldas de pano devem ser deixadas de molho em água quente, sabão neutro ou vinagre antes de ir para a máquina de lavar. Caso fiquem amareladas, pode-se ferver com casca de ovo.
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Se a roupa tiver botões de metal, é preciso observar se está em bom estado.
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Tecidos de fibras naturais, principalmente o algodão, costumam encolher após a lavagem. Considere isso ao escolher o tamanho das roupas.
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O tecido deve permitir a respiração e transpiração natural da pele.
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A roupa deve permitir que a criança controle a sua temperatura corporal.
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A seda é um tecido térmico, se adapta muito bem ao frio ou calor e é um bom tecido para ser usado com lã.
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Sapatos

A sensibilidade sensorial é uma das primeiras janelas de oportunidade que se abre para a criança, iniciando-se ainda no ventre materno e se estendo até mais ou menos os dois anos de idade. Quando falamos em exploração sensorial e pontos de referência, é comum lembrarmos imediatamente das mãos, contudo, os pés também são pontos de referência, também tem sensibilidade sensorial, logo, também necessitam de oportunidade de explorar o ambiente. Por isso, é importante que a criança passe a maior parte do tempo com os pés livres. Ao nascer, os pés da criança são planos e sua curvatura é formada a partir da experiência no ambiente. Esse é mais um importante motivo para que a criança exercite seus pés e termine de moldá-lo de maneira saudável e natural.
A teoria é linda.
Mas como montar esse guarda-roupa na prática?
Você já entendeu que vestir seu bebê vai muito além da estética. É sobre respeito ao movimento, estímulo à autonomia e um profundo cuidado com a pele que o conecta ao mundo.
Mas, ao abrir a gaveta vazia, surgem as dúvidas reais: Quantos peças são realmente necessárias? Como equilibrar propósito, funcionalidade e o orçamento da família?
É para transformar essa incerteza em confiança que existe a Orientação Personalizada.
Nela, não criamos apenas uma lista. Nós desenhamos juntas um plano para um guarda-roupa minimalista e inteligente. E vamos além: para as peças mais simbólicas — aquelas que primeiro tocarão a pele do seu bebê — você receberá as instruções para confeccioná-las com suas próprias mãos, a camiseta do bebê (primeira capa) e o topponcino.
O resultado é um enxoval de roupas que não só respeita o desenvolvimento da sua criança, mas que carrega o seu afeto em cada fibra. É a tranquilidade de ter exatamente o que precisa, com o máximo de significado.
