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O mito do "itens essenciais" para bebês

     O desenvolvimento de um bebê é uma jornada de descobertas impulsionada por um motor interno: a curiosidade e a liberdade para se mover. É através do movimento livre que a criança mapeia seu corpo, fortalece seus músculos, desenvolve seu equilíbrio e constrói as bases da sua inteligência.

     No entanto, o mercado nos oferece atalhos que, com a melhor das intenções, acabam se tornando barreiras. Produtos vendidos como "essenciais" ou "divertidos" — como andadores, saltadores e cercadinhos — na verdade confinam o corpo e super estimulam sua mente, interrompendo o trabalho vital da criança.

     Esses equipamentos não apenas criam uma falsa sensação de segurança para os pais ou cuidadores, como também estão diretamente ligados a problemas sérios:

  • Prejuízos ao Desenvolvimento: Podem causar encurtamento de tendões, desenvolvimento de uma postura inadequada, atrasos em marcos motores essenciais como engatinhar e caminhar e até mesmo na aquisição da linguagem articulada. 

  • Riscos Físicos Graves: O histórico de acidentes, quedas e até fatalidades associados a esses produtos é tão alarmante que muitos já foram banidos em outros países.

     A seguir, vamos desmistificar os artigos comerciais mais nocivos, para que você possa fazer escolhas conscientes que realmente honrem e protejam o imenso potencial do seu bebê.

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Por que não usar o berço?

  • É um obstáculo ao desenvolvimento da independência;

  • Enjaula a criança, que se torna dependente do adulto;

  • Limita os movimentos;

  • As barras obstruem a visão do seu entorno;

  • Atrapalha a autorregulação do sono;

  • Há risco de queda quando a criança aprende a colocar-se de pé;

  • Há risco de prender os braços na barra;

  • O uso de móbiles na área de dormir atrapalha o processo de ordem no ambiente e ordem interior. 

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Por que não usar a chupeta?

  • Interfere na dentição;

  • Afeta o paladar;

  • Atrapalha o desenvolvimento de alguns músculos faciais necessários para a mastigação;

  • Atrapalha o desenvolvimento da linguagem articulada;

  • O adulto faz com que a criança crie dependência do objeto;

  • É um necessidade do adulto e não da criança;

  • Passa a informação de que a criança deve estar sempre calada e que não queremos ouvi-la.

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Por que não usar o cueiro ou saco de dormir?

  • A criança fica presa e seus movimentos são contidos;

  • Obstaculiza o desenvolvimento natural, uma vez que restringe os movimentos dos membros;

  • Seus pés e mãos são pontos de referência importantes e quando envolvida pelo tecido, a criança é impedida de tocá-los.  

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Por que não usar o cercadinho?

  • A criança fica presa em um espaço restrito;

  • Não pode desenvolver o movimento livre e natural;

  • Limita seus movimentos;

  • Prejudica o desenvolvimento da independência;

  • Afeta o desenvolvimento da ordem;

  • Obstruiu a visão do entorno;

  • Há risco da criança escalar, saltar e cair. 

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Por que não usar a cadeira de descanso?

  • Obstrui o movimento livre;

  • Dá informações errôneas sobre o funcionamento corporal;

  • Limita a visão da criança sobre o entorno;

  • O balanço passa a informação errônea sobre a resposta do movimento após o estímulo. 

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Por que não usar o andador?

  • Dá um padrão inadequado de movimento e velocidade;

  • Obstrui o movimento livre;

  • Força a criança a ficar em uma posição vertical quando a mielinização não chegou aos pés e seu corpo ainda não está preparado para isso;  

  • Pode causar má formação nos quadris devido a pressão que o corpo sofre;

  • Dá uma visão errônea de distâncias, pois o andador é mais amplo que o seu corpo;

  • As rodas oferecem grande risco, pois com o impulso pode ganhar velocidade e chocar-se contra paredes e mobílias;

  • Há risco de quedas de escadas e outros acidentes;

  • Alguns andadores vem com excesso de estímulos.

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Por que não usar o saltador?

  • Dá um padrão inadequado de movimento, podendo inclusive afetar a criança neurologicamente;

  • Obstrui o movimento livre;

  • Força a criança a ficar em uma posição vertical quando a mielinização não chegou aos pés e seu corpo ainda não está biologicamente preparado para isso;

  • Pode causar mal formação nos quadris devido a pressão que o corpo sofre;

  • Há risco de acidentes.  

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Por que não usar a cadeira de balanço?

  • A criança é mantida completamente passiva e inerte;

  • Obstrui a liberdade de movimento;

  • Não permite o desenvolvimento do seu esquema corporal;

  • A criança está em constante movimento, o que pode prejudicar seu desenvolvimento neurológico e visual;

  • Não é seguro, pois a criança pode se movimentar e cair. 

Agora que "os riscos ocultos"  estão claros, vamos clarificar   o "o que usar". 

     Retirar da sua lista o andador, o saltador, o cercadinho não é apenas uma decisão de segurança. É uma declaração de confiança no potencial natural do seu bebê.

     Mas essa decisão corajosa abre espaço para dúvidas legítimas: "Como eu ofereço estímulos adequados e seguros? Como crio um ambiente que promova o movimento livre sem precisar desses artifícios?"

     É aqui que a filosofia montessoriana se torna prática. Meu papel não é apenas mostrar os mitos, mas te ajudar a construir a realidade. Não com uma lista de substitutos, mas com uma nova lógica. Com a bússola para um ambiente onde esses itens sequer fazem falta.

     A Orientação Personalizada é o nosso momento de desenhar esse "o que usar". Juntas, criamos um plano de ação para um ambiente rico em estímulos e seguro, que nutre a autonomia do seu bebê e, acima de tudo, te devolve a tranquilidade.

    Se você quer preencher esse novo espaço com intenção e confiança, este é o caminho.

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©2023 por Caminhar Montessori

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